Falo palavrão pra caralho. Não sou educada, não mesmo. Acho que as únicas pessoas que respeito demais são meus pais. E olha que quando eu me estresso nem a eles respeito direito. Claro, quando eu estou nervosa ninguém me agüenta. Ou melhor, ninguém fica perto. Porque se ficar vai acabar recebendo minha fúria, mesmo sem fazer nada. Eu falo besteira o tempo todo. Falo muito sobre sexo. Não tenho vergonha. Não sou ingênua, muito menos mesquinha. Sei que não vim da cegonha. Uso roupas curtas, e gosto disso. Só que nem por isso sou puta. Como muitos interpretam isso. Só que digo, do meu cabelo já desisti. Deixo de qualquer jeito, e antes que pergunte: não, eu não gosto do meu cabelo. Também não sou a primeira da sala. Sento no fundo, converso mais do que posso, brigo com o professor se for necessário, bagunço sempre que posso, aproveito cada brecha para sair da sala e andar sem rumo pela escola com a galera. Mas acredite, sempre tiro notas razoáveis. Também não sou organizada, tanto que você não deve querer entrar no meu quarto. Que só não é mais bagunçado porque não tem como. Sou desastrada pra porra. Tropeço em coisas invisíveis e caio do nada. Quanto a estilo musical tenho tanto faz . Sou estranha admito. Sou confusa, difícil de entender. Apenas não se engane quanto a tudo isso. Não é porque eu não demonstro que eu não sinto. Sou como qualquer outra pessoa aqui por dentro. Tenho sentimentos. Sou facilmente magoada, mas também sei magoar. Tenho um teto de vidro que já foi trocado inúmeras vezes, depois de ser incansavelmente quebrado. Mas estou de pé. Vivendo dia após dia. E o melhor de tudo, sendo eu mesma em todos os aspectos. E literalmente com o foda-se ligado para a sociedade